O final da temporada de 2000 foi extremamente negativo para todo futebol brasileiro.


A Copa João Havelange, criticada e desacreditada, apresentou estádios vazios e baixa audiência da televisão. Acontecimentos extra-futebol, como as CPIs no Senado e Câmara ou a violência entre torcedores, vieram a agravar o quadro negativo para o futebol brasileiro em 2000.


No caso do Corinthians devemos acrescentar ainda uma horrível temporada no segundo semestre, com recorde de derrotas, desclassificações em todos os torneios e um futebol com péssimo desempenho em campo.


Como conseqüências deste quadro negativo tivemos a perda de receitas dos clubes, com atrasos de pagamento de jogadores e credores, venda de atletas cada vez mais jovens para o exterior, bem como o endividamento cada vez maior dos clubes que deixaram de pagar Imposto de Renda, INSS e os depósitos no Fundo de Garantia.


Para reverter a situação tão agravada, os clubes necessitam de muitas medidas, algumas de curto prazo, outras de longo prazo.

Todas as agremiações brasileiras dos dias atuais dependem exageradamente das receitas advindas das transmissões de televisão.


Para alguns clubes esses valores representam mais de 90% de tudo que arrecadam, enquanto na Europa apenas um terço da receita é da televisão, outro terço vem de rendas de público e o último terço é proveniente da venda de produtos.


A boa notícia que podemos ter neste começo de ano é que o futebol volta a mostrar o seu peso nas transmissões de esporte, revertendo a tendência de audiências baixas ocorridas no último semestre. É fundamental para os clubes ter a confiança do torcedor e do telespectador, uma vez que receitas de venda de ingressos e venda de produtos dependem de investimentos de médio e de longo prazos.


Neste quadro é relevante a contribuição que o Corinthians vem dando desde o início do ano e que pode ser constatada no caso do Torneio Rio-São Paulo, primeiro evento do esporte deste ano. Durante essa disputa, o Corinthians, que não passou para a fase final, apresentou audiência média na Grande São Paulo de 32,1 pontos do Ibope. Tal número é de relevante importância posto que é muito acima dos verificados no semestre passado, o que vem contribuir para a televisão ver como bom investimento o futebol. Destaque-se que a audiência média do Corinthians foi 20% superior à do Palmeiras e 25% maior que a do São Paulo, o qual foi campeão do torneio. Apenas para comparação, neste mesmo período o programa Show do Milhão do SBT, badalado como grande evento de televisão e de audiência, teve média de 17,6 pontos de Ibope.


O crescimento das audiências de televisão conseguido em jogos do Corinthians é fator de grande relevância para o mercado publicitário brasileiro como um todo. Devemos destacar que na Grande São Paulo existem por volta de 4,4 milhões de domicílios com televisores, contra 2,96 milhões no Grande Rio; na região metropolitana de São Paulo existem cerca de 8 milhões de pessoas economicamente ativas, contra 4,4 milhões no Rio de Janeiro. Esta comparação não tem finalidade bairrista, mas sim para destacar a importância de que clubes de São Paulo, notadamente o Corinthians, têm um bom desempenho futebolístico tornando-se um grande negócio. Lembro que um comercial de um minuto na TV Globo, considerando sempre o preço de tabela cheia, em uma Quarta-feira, dia de futebol, entre 21:30 e 23:30 custa em São Paulo R$40 mil, enquanto na praça do Rio custa R$13 mil.


O importante desempenho do Corinthians nas audiências de televisão é relevante para o clube e para todo o futebol, e igualmente para todo o mercado publicitário, atendendo de forma extremamente eficiente a todos os anunciantes.


A boa notícia para o futebol neste começo de ano é a volta do Corinthians jogando bem no campo e ganhando audiência na televisão, como demonstraram os números do Torneio Rio-São Paulo.


O campeonato Paulista e a Copa do Brasil são outra história, muito melhor no campo e na TV, como veremos nos próximos artigos.

 

01/05/2001