Antonio Roque Citadini


O Corinthians enfrenta no próximo dia 6 de abril o Cianorte, pela Copa do Brasil, em jogo de grande dificuldade, mas com possibilidade igualmente grande de marcar resultado histórico.
O Timão precisa vencer por três gols de diferença e não tomar nenhum, o que tem gerado por parte de nossos adversários muita falação, praga e mau agouro. Nada nos deve intimidar. O time tem condições de vencer o Cianorte e passar para a outra fase da Copa do Brasil. Superar grandes dificuldades, reverter resultados ruins, sempre fez parte da história do Corinthians.
Não preciso citar exemplos porque são inúmeros; a garra e a raça do clube estão em seu DNA desde os primórdios no Bom Retiro.
Com tranqüilidade da diretoria, com dedicação e empenho da comissão técnica e dos jogadores, será possível vencer e marcar mais um ponto de glória na nossa vitoriosa história.
Esta é a nossa marca, este é o nosso caminho: superar grandes problemas e vencer.

ELEMENTAR, MEU CARO ROY

A matéria do jornal de Buenos Aires, "Clarín", do último dia 20/3, em sua edição dominical com chamada de primeira página, esclareceu muitos pontos da contratação de Tevez, embora tenha revelado aspectos mais obscuros do que poderíamos acreditar. Contrariamente ao que informava o clube, e trombeteava a MSI, o jogador Tevez não foi contratado pela empresa "matriz" da MSI e repassado seus direitos federativos para o Corinthians. Esta versão divulgada para justificar o não-pagamento a ser feito através do Brasil só existiu na cabeça dos que queriam simular a compra e na boa-fé dos jornalistas.
O que se vê no contrato divulgado pelo "Clarín" é que o Corinthians, e somente o Corinthians, comprou os direitos econômicos e federativos do jogador Tevez. A MSI ou a sua matriz não aparecem em nada. Não teve a gentileza sequer de firmar como testemunha do negócio. O Corinthians comprou por US$16 milhões, em operação a ser paga em uma conta em Nova Iorque. Também aí o "Clarín" esclareceu o valor exato da contratação.
Diferente, portanto, dos US$22,5 milhões que a MSI tanto falou e tanto propagandeou. Coube ao presidente do Boca Juniors dar a explicação sobre a diferença de US$6,5 milhões entre o que está no contrato e o que diz a MSI. O primeiro US$1,5 milhão foi doado pelo jogador Tevez ao clube em reconhecimento ao trabalho da equipe portenha para revelá-lo como jogador. Gesto bonito, nobre e difícil de acreditar, como afirma o jornal. A segunda parte seria de US$2 milhões para, como disse o "Clarín", "um até agora desconhecido convênio Corinthians-MSI para intercâmbio de juvenis". Com isso totalizaríamos US$19,5 milhões, valor que, para chegar a US$22,5 teria que incluir comissões de intermediários e algumas outras despesas.
A explicação e detalhamento, feita pelo "Clarín" e pelo presidente Macri, longe de trazer tranquilidade, trazem sim mais apreensão. Até porque a única empresa citada no contrato, uma tal de HAZ Football Worldwide Ltd. sediada no paraíso fiscal de Gibraltar, é ao mesmo tempo quem teria recebido a comissão e se responsabilizado por alguns pagamentos da operação ao jogador Tevez.
Agora começa-se a entender porque a MSI falou tanto em US$22,5 ou US$22,6 milhões, quando o Boca recebeu apenas US$16 milhões. Estas cifras divulgadas pela imprensa e pelos dirigentes da empresa, como faz crer manchete de 23/3 do Diário de S. Paulo ("Conselheiros falam em chapéu de Kia"), eram mais para os ouvidos dos investidores do que para nós mortais brasileiros.
Elementar, meu caro Roy. Eles que são russos que se entendam. Ou melhor, eles que são russos, georgianos, ucranianos, iraniano, israelenses e espanhóis que se entendam.

O DIREITO DE NASCER 2

O jornal Lance! vem publicando nos últimos dias uma série de reportagens sobre a parceria do Corinthians com declarações do dirigente Kia. Embora com manchetes bombásticas, tudo lá é requentado. Contratação de jogador, construção de estádio, venda de atletas, opiniões sobre mercado, TV Corinthians, tudo já havia sido publicado, até por algumas vezes, pelo Lance!. Faltava apenas indagar sobre a matéria do "Clarín" e sobre a diferença de US$6,5 mi para que os leitores desta sonolenta série tivessem alguma novidade.
O Lance!, que já publicou grandes matérias sobre a parceria, com notícias favoráveis ou desfavoráveis, agora faz uma entrevista modorrenta, arrastada e sem nenhuma informação nova em um trabalho que poderia ter sido inovador para os jovens e corretos jornalistas participantes do colóquio.
Penso, no entanto, que a série de matérias mais ficaram para "O Direito de Nascer" tais foram as repetições e monotonia que melhor faria o “little newspaper” se tivessem reduzido a uma pequena coluna num fim de página.