Antonio Roque Citadini


Quando da discussão inicial sobre a parceria Corinthians-MSI, muito se falou sobre o objetivo de internacionalizar o nosso querido clube da Fazendinha. Não há dúvida de que esta finalidade está sendo plenamente alcançada, infelizmente pelo lado negativo.
Não há semana em que jornais e revistas da América do Sul, da Europa e até da Ásia não publiquem alguma notícia sobre a associação do Corinthians com um obscuro grupo de investidores. Na última semana foi a revista alemã Der Spiegel, - a mais importante e de maior circulação de seu país -, que publicou grande matéria sobre a tenebrosa parceria. Tudo que na revista aparece compromete o Corinthians, o futebol brasileiro, os investidores, os contratos, os negócios e tudo o mais que vem sendo realizado, longe de nos dignificar, borra a imagem do clube como partícipe de negócios escusos e de consequências imprevisíveis.
Se ganhamos manchete na Europa e na América Latina sempre com notícias ruins no plano interno, o clube acumula desempenhos insatisfatórios com a parceria. Vivendo uma situação pré-profissional, quase amadora, desorganizando toda a estrutura do futebol, colhemos medíocres resultados em campo, a exemplo da desclassificação da Copa do Brasil com a derrota para o Figueirense. A MSI reestabeleceu noções de administração que já estão extintas no próprio futebol de várzea, como diretores invadindo vestiários para se queixar de atletas ou freqüentando boates com estrelas do time. É neste quadro de puro amadorismo que o clube vive por gestão da MSI, seus negócios escusos e de seus deslumbrados diretores.


DIVIDINDO


A Folha de S. Paulo na última quarta-feira, 4/5, publicou uma nota grosseira e chula procurando me atingir. É conhecido o mau humor que a Folha nutre pelas pessoas que se opõem à parceria, notadamente por mim, em razão de não me calar diante da pífia cobertura realizada pelo jornal entre junho e dezembro de 2004, à oportunidade das tratativas sobre a parceria. O repórter da Folha que, durante seis meses, cobriu aquelas discussões, tornou-se, em seguida, assessor de imprensa da MSI-Kia. O resultado da cobertura daquele período pode ser conferido em link de meu sítio (www.citadini.com.br) onde estão publicadas, e poderão ser comparadas, as notícias da Folha e de O Estado de S. Paulo no dia-a-dia das negocições da parceria.


A frágil cobertura da Folha omitiu os aspectos negativos da parceira, muito propagandeou de ilusões e, no fundo, desinformou o leitor, como tive oportunidade de afirmar à revista Caros Amigos na edição de março de 2005. Passados alguns meses, o atual assessor de imprensa da MSI, ex-repórter encarregado da cobertura da formação da parceria, ainda tem amigos no “Painel” para publicar uma nota grosseira como a de quarta-feira.
Diante da informação de que o Senhor Kia ia a boates com jogadores, - fato largamente documentado pelos jornais, notadamente o Diário de S. Paulo, especialmente no dia seguinte à partida Corinthians x Cianorte no Pacaembu -, o assessor da MSI plantou uma declaração afirmando que eu deveria “sair com o Clodovil”. Nada como contrapor uma notícia com um ataque rastaquera.


Ataque que não me atinge, mas ofende uma parcela significativa de funcionários e jornalistas da própria Folha de S. Paulo, reconhecidamente um veículo de comunicação que reúne vários homossexuais, alguns dos quais meus amigos de longa data, cuja opção sexual e de vida apoio e respeito. Não havendo de minha parte nenhum problema quanto a isso, creio que a orientação sexual dos funcionários e jornalistas da Folha deva ser respeitada, seja ela hétero, homo ou bissexual. E, sabidamente, no jornal, do primeiro ao último andar, encontraremos as mais variadas manifestações sexuais em seus quadros. Não nos esqueçamos que a Folha há alguns anos fez publicidade com um casal homossexual, vendendo idéia de liberalidade, modernidade, buscando cooptar assinaturas do público gay.


Não conheço e nunca estive com o Senhor Clodovil, mas respeito sua opção sexual, e a dos jornalistas da Folha que, se vierem a integrar a próxima Parada Gay como um bloco, certamente será dos mais numerosos.
O fato de a Folha ter feito tão grosseira e chula afirmação não me impedirá de continuar afirmando que a postura adotada pelo jornal, à ocasião da discussão da parceria, foi equivocada pois o jornalista responsável pela cobertura da matéria tornou-se o assessor de imprensa da MSI e quando das discussões omitiu informações relevantes sobre o “parceiro” do Corinthians. Se o jornal foi levado a erro, deveria tornar público o reconhecimento de seu equívoco e jamais supor que possa intimidar aqueles que apontam seus deslizes.