Garrincha encerrou sua carreira no Corinthians.


Foi um encontro tardio para ambos, infelizmente. Mas o torcedor o acolheu com entusiasmo. Parecia que o veterano de 33 anos, corpo dilacerado pelas chuteiras de implacáveis marcadores, tal como a Fênix poderia renascer e voltar a jogar como nos áureos tempos de craque do Botafogo e da Seleção. Era o sonho dos 45 mil torcedores que no dia 2 de março de 1966 lotaram o Pacaembu para ver o novo astro do Corinthians, em jogo válido pelo Rio - São Paulo, enfrentar o Vasco da Gama. O Corinthians estava em maré baixa. Seu último título de campeão fora conquistado em 1954.


Daí em diante nada. Reforços eram contratados entre os jogadores que se destacavam em todo o país, o time tornava-se mais competitivo, ameaçava chegar ao pódio mas derrapava no caminho. Quem sabe Garrincha mudaria a trajetória corintiana e traria o almejado título para o alvinegro?


Mané Garrincha assinou com o Corinthians o melhor contrato de sua carreira, embora já não fosse o mesmo atacante que deslumbrara o mundo inteiro com seus dribles incríveis.


O vencedor de duas Copas e principal responsável pelo bicampeonato no Chile, quando o Brasil ficou sem Pelé no segundo jogo. Seu problema não era tanto a idade mas as seqüelas de contusões mal tratadas que acarretaram uma atrofia do joelho. Em sua estréia no Corinthians, mesmo fora de forma, foi considerado pela imprensa “uma estrela solitária” na derrota por 3x0. E proporcionaria a conquista do título do Rio–São Paulo, embora dividido com Botafogo, Santos e Vasco porque a proximidade com a disputa da Copa do Mundo, na Inglaterra, impediu o desempate.


Garrincha marcou dois gols em 13 jogos. Enfim, um título, mesmo dividido com outros três clubes. Valeu a pena o encontro do Corinthians com Garrincha. Só Corinthians, Botafogo do Rio de Janeiro e Seleção Brasileira tiveram o fabuloso Mané em seus times.

 

ROQUE CITADINI

 

(Reprodução)


O inesquecível Mané Garrincha jogando pelo Timão.


(O Expresso, Capão Bonito/SP, 23/2/2002)