Antonio Roque Citadini


A candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2012 não conseguiu um lugar entre as cinco cidades finalistas. Nenhuma pessoa de bom senso se surpreendeu com a exclusão. O Rio, como quase todas as cidades brasileiras, São Paulo inclusive, não tem, como justificou o COI, infra-estrutura, ponto final. Da água potável ao transporte público é enorme a série de carências injustificáveis para tal pretensão.

Basta comparar o Rio com as classificadas, a saber Nova York, Paris, Moscou. Em qual delas é possível encontrar tantas favelas? Beleza natural, perdoem-me os cariocas, Porto Príncipe também tem. O nosso Comitê Olímpico e as autoridades do Rio tentaram vender uma ilusão: quem pode sediar um Pan-americano tem igual chance de acolher os Jogos Olímpicos.

Ora, o Pan está restrito ao Novo Mundo. São Paulo quase foi sede (pela segunda vez) em 1975 mas a epidemia de meningite impediu. O último Pan foi em São Domingos, República Dominica-na. No caso das Olimpíadas, o que menos importa é a construção de uma Vila Olímpica. Com dinheiro as empreiteiras brasileiras constroem no prazo uma vila ou mais.

O problema é a infra-estru-tura. E desde os anos noventa que minguaram ou desapareceram os investimentos em saneamento básico, um dos itens de importância capital. A Baía da Guanabara é uma maravilha da natureza, porém, a população à sua volta transformou-a num cloaca.

A Lagoa Rodrigo de Freitas não fica atrás. Igual destino inglório têm os rios que abastecem a Cidade Maravilhosa, um deles, o Paraíba, com notável contribuição dos paulistas.

Dói-me constatar tais mazelas mas não adianta esconder o óbvio. Nas atuais condições o sonho olímpico é inalcançável. Precisamos começar a trabalhar rápido para que na escolha da sede da Copa a FIFA não nos submeta à mesma rejeição que o Rio amargou do COI.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 26/6/2004.