Antonio Roque Citadini


O Corinthians conseguiu nos últimos dez anos ganhar uma coleção de títulos regionais, nacionais e internacionais realmente maiúsculos. A enorme e abarrotada Sala de Troféus do clube tem um tesouro único, o de Campeão Mundial da Fifa 2000. O Timão qualificou-se para a disputa, como representante do país sede, por ser bicampeão brasileiro. Manchester

United e Real Madrid, com seus ricos e famosos astros, representando a Europa, estavam entre os favoritos. O Corinthians tornou-se finalista ao eliminar o Real Madri, graças a um belo gol de Edílson, em jogo transmitido pela televisão para uma platéia recorde de 142 países. A final, contra o Vasco, no Maracanã, decidida nos pênaltis, foi inolvidável. Como este, outros troféus, regionais ou nacionais, também estão virtualmente guardados no coração dos corinthianos. O campeonato paulista tem dimensão comparável à de torneios nacionais, pela área, número e qualidade dos participantes, além da importância econômica. O título em jogo tem sempre de quatro a seis favoritos, o que apimenta a competição. De 1995 pra cá o Corinthians venceu cinco vezes, inclusive nos auriverdes anos do rival Palmeiras enriquecido com a parceria da Parmalat. Na decisão de 1999, contra este mesmo Palmeiras-Parmalat, Edílson deixou palmeirenses loucos de raiva e corinthianos loucos de alegria com a peraltice das embaixadas nos instantes finais da partida. O último título paulista, neste 2003, teve sabor especial, decidido em dois jogos contra o São Paulo, no Morumbi. O regulamento confuso e a briga pelos direitos de transmissão tornou-o o mais exposto dos campeonatos, com transmissão simultânea de até três emissoras de TV, às vezes algumas sem pagar. Em 2002 ganhamos o Rio-São Paulo organizado pela liga interestadual, contra o São Paulo e três dias depois a Copa do Brasil, em Brasília.

Nesta década ganhamos duas Copas do Brasil e dois inesquecíveis campeonatos brasileiros.

Tivemos também a vitória na Taça Ramon Carranza, mas eu faço questão de encerrar com vitórias pouco celebradas porém extraordinário alcance: as obtidas pelas divisões de Base do clube. Foram duas Copas São Paulo de Juniores (1995/99), duas Dallas Cup (1999/2000) e a Copa Nike/Manchester em 2003. Estes três últimos títulos com atletas sub 15 e disputados nos Estados Unidos. Tais conquistas representam o enriquecimento da equipe principal, mais cedo ou mais tarde, com valores formados no próprio clube. Se a Belinha, o Juca Kfouri, Chico Lang e Alberto Dualib, como a massa de corinthianos, reconhecem que estes últimos dez anos foram os mais profícuos para o Corinthians, o corinthiano comum não está satisfeito, quer mais, muito mais. E é bom que assim seja.


Fique Por Dentro, 22/10/2003.