Antonio Roque Citadini


A configuração dos times de futebol já não é a mesma dos tempos de Carbone e Rafael porém os então chamados meias-esquerdas têm seus clones hoje e igual prestígio. A função de meia existia e tinha extraordinária importância no dábiiu eme inglês, não se esvaziou na diagonal nem tampouco nos demais sistemas. Estes mudam continuamente mas assim como não prescindem dos goleiros reservam sempre papel de destaque para os meias.


E seus melhores ocupantes, os que mais contribuem para realçar sua importância, ganham cadeira cativa na história do futebol. O Corinthians cultiva os seus heróicos meias-esquerdas. Neco, nome símbolo do próprio clube, abre a série. É um caso a parte. Em menor escala pode-se dizer o mesmo de Carbone. Três nomes estão consagrados como meias: Rafael, Zenon e Neto.


O primeiro enfrentou um teste de alto risco, passível de abortar sua carreira logo no início - o de substituir Carbone. Passou com distinção e louvor, como se dizia na época. Foi figura destacada na memorável campanha de Campeão do Centenário -1954. Por dez anos foi senhor absoluto da posição, com a camisa 10. Jogou 456 partidas e marcou 113 gois. Fazia três coisas com maestria: lançamentos, cobrança de faltas e de escanteios.


Zenon é outro meia-esquerda inesquecível. Também distinguiu-se como batedor de faltas e era capaz de deixar companheiros com a bola "redonda" na cara do gol. Deu inestimável contribuição à conquista dos campeonatos de 1982-83. Jogou 306 partidas pelo Timão e marcou 59 gois. Neto é o meia-esquerda que dentro do campo "escreveu" um manual de como jogar na posição. Chegou ao Corinthians em 1989, em uma troca por Ribamar, com o Palmeiras. A torcida o adotou rapidamente e ele incrustou a camisa alvinegra na própria pele. Brigava pelo time com e sem a bola, o que lhe valeu punições, algumas por enfrentar o juiz. Seu desempenho foi decisivo para a conquista do primeiro título de Campeão Brasileiro, quando marcou nove gois e com seus passes precisos possibilitou muitos dos demais 17 gols.

Até na comemoração dos gois deixou uma marca inconfundível, o escorregar de joelho na grama e um soco para o ar.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 04/10/2003.