Antonio Roque Citadini


Uma boa notícia para o nosso esporte, a escolha do Brasil para sede da Copa do Mundo de 2014. Nosso país tem a clara preferência da FIFA e da cúpula do esporte sul-americano.

Quem poderia competir conosco, a Argentina, já deu apoio à candidatura brasileira. No Continente, as potências futebolísticas já tiveram oportunidade: Uruguai, Brasil, Chile e Argentina. Ao Norte, o México já foi sede duas vezes e Estados Unidos uma. Na Europa, França e Itália já tiveram duas copas e a Alemanha ganha agora a sua segunda.

Chegou a nossa vez. Sediar a Copa é importante não apenas para o esporte. Ganha igualmente o país. É a oportunidade de tornar-se notícia obrigatória nos quatro cantos do Planeta, de ser alvo da curiosidade geral. Mas, perguntaria um cético, estará o Brasil em condições de organizar uma Copa do Mundo?

Por que não? Certamente não iremos seguir o modelo de organização americana nas Olimpíadas de Atlanta, o máximo em promessa de show tecno-lógico e o mínimo em desempenho na hora das provas, para desespero da imprensa mundial e de milhões de telespectadores em todo o mundo, inclusive americanos.

E o custo? Nada de extraordinário se levarmos em conta que o capital exigido pelas obras de infra-estrutura terá retorno garantido antes, durante e após a Copa. Ninguém vai demolir os estádios, novos ou reformados, após a disputa. As melhorias no sistema de transporte público e de segurança nas cidades sede de grupos vão continuar à disposição de habitantes.

A Copa será, na realidade, um indutor desses investimentos. Convém lembrar que a África fará a sua Copa antes de nós e lá não existe país algum mais rico ou menos pobre que o Brasil. Uma outra vantagem da escolha é que ela reabilita, entre nós, a necessidade de planejamento.

Com o modismo neoliberal o planejamento foi confundido entre nós com dirigismo estatal à mo-da soviética e abandonado. No mundo do esporte o planejamento é lei.

Tanto que menos de um ano após a Copa da Ásia a Fifa já trata da escolha do país sede em 2014. Isto é, para tornar real a candidatura, o Brasil terá que dar garantias de ser capaz de organizar a futura Copa.

Ou, em bom português: CBF, clubes, torcedores, empresas, poder público nas diversas esferas terão que incluir o evento em suas preocupações e planos desde já.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 5/4/2003.