Antonio Roque Citadini


Na semana passada a Fifa confirmou para o calendário de 2005 a realização do segundo Mundial de Clubes. Bastou isso para que parte da mídia brasileira entrasse “em parafuso”. Tudo porque o Corinthians venceu com grande êxito o primeiro mundial realizado em 2000 em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Foi uma notável conquista do Corinthians - a maior da sua história - bem como um grande evento vitorioso do futebol brasileiro. Com representação superior ao primeiro mundial de seleções realizado em 1930 no Uruguai - que teve quase somente entre seus participantes times da América - o mundial de clubes de 2000 teve representantes de todos os continentes, inclusive da velha Europa com a participação de seus dois maiores e mais badalados clubes: Manchester United e Real Madrid.

Vieram com todas as suas estrelas e com todo seu empenho e contaram com uma cobertura de mídia mundial jamais vista em qualquer evento do futebol brasileiro. O Corinthians credenciou-se para disputar o Mundial como campeão nacional do país sede (1998-99).

Este era o regulamento e foi obedecido. Tivemos jogos emocionantes, como Corinthians e Real Madrid (2x2), transmitido para 142 países por TV aberta e uma final contra o Vasco da Gama de tirar o fôlego. A Fifa, que já realiza o Mundial de Seleções, vem se empenhando para consolidar este evento de clubes, lutando contra interesses de clubes europeus (G14) e entidades do velho continente, como a Uefa, que querem mais datas no calendário para suas competições.

A FIFA, hoje com maior número de países membros que a ONU, sabe que os clubes terão cada vez mais importância do que as nações. A formação de blocos continentais, como o europeu, o merco-sul, etc, tende a diminuir o apego às divisões nacionais.

Os clubes, no entanto, são cada vez mais mundiais. Zidane, por exemplo, é mais visto como jogador do Real Madrid que da seleção francesa. Nesta luta para consolidação do seu mundial, sabe a Fifa que - se fracassar - outros farão por ela.

O grupo de elite dos clubes europeus sempre objetivou fazer um mundial a partir de interesses do velho continente. Clubismo de nossa imprensa à parte, vamos comemorar sempre: Corinthians, primeiro campeão mundial de clubes da Fifa.

MAIS UMA FINAL - Depois que o calendário mudou para o século 21, o Corinthians continuou o mesmo - todo o ano chegando às finais de torneios e campeonatos e conquistando títulos.

Desde o mundial de clubes da Fifa, em janeiro de 2000, vencemos em 2001 o Paulista, em 2002 a liga Rio-São Paulo e a Copa do Brasil; e fomos vices da Copa do Brasil de 2001 e do Brasileiro de 2002.

Chegamos à sétima final e a década nem bem começou. Se olharmos para um período mais longo, nos últimos 10 anos, veremos a fase mais vitoriosa da história do Corinthians. Para nossa felicidade e para desespero de nossos adversários, estamos nós aí em nova final do Campeonato Paulista.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 22/3/2003.