Antonio Roque Citadini


Em um dos períodos mais difíceis da história do Corinthians, iniciado após o campeonato de 1954 e só encerrado com a conquista do Campeonato Paulista de 1977, o time teve o seu mais brilhante jogador - para muitos -, e, para mim, o maior craque que vestiu a camisa alvinegra. Roberto Rivelino foi estrela quando ainda jogava entre os aspirantes do clube.

Com o time principal sem grandes jogadores, era comum a torcida corintiana chegar cedo ao estádio para ver aquele meia-esquerda driblar com habilidade, bater faltas com maestria, encantando a todos com seu toque de bola. Rivelino, quando estreou no time principal em janeiro de 1965, já era conhecido e festejado. Neste período de adversidades do clube, Rivelino foi quase sempre o único motivo de orgulho do torcedor corinthiano.

No mesmo ano foi convocado para a seleção brasileira, onde começou ser presença indispensável no time principal, mesmo com tantas estrelas do naipe de Pelé, Gérson, Tostão, Gar-rincha e outros. Conquistou tudo pela seleção brasileira, inclusive o famoso tricampeonato no México em 1970, quando fez gols maravilhosos e ganhou o apelido de patada atômica.

Naquele período dificílimo de 21 anos que o clube ficou sem títulos, Rivelino venceu a adversidade com grandes e memoráveis partidas. Não conquistou título, pois o futebol é um esporte coletivo e os times adversários como o Santos e a academia do Palmeiras predominaram no período.

A ausência de títulos, no entanto, não deslustra tão notável jogador. Deixou o clube em 1974, depois da perda do título do Campeonato Paulista para o Palmeiras. Uma diretoria fraca e despersonalizada não teve coragem de confrontar-se com torcedores exaltados e com jornalistas que fizeram ardorosa campanha contra o jogador Rivelino.

Foi um dos maiores erros cometidos pelo clube, levado pela precipitação e por manobras da mídia. Rive-lino continuou sua carreira no Fluminense e na seleção brasileira, depois de jogar 471 jogos pelo Corinthians e marcar 141 gols. É um craque inesquecível a quem o clube muito deve, inclusive uma reparação por sua saída.


(Reprodução)

Roberto Rivelino


O Expresso, Capão Bonito/SP, 15/3/2003.