Antonio Roque Citadini


Há várias maneiras de aferir a popularidade de um time, umas com aval da ciência, caso das pesquisas de opinião, outras sem ele mas que também refletem o quadro real das preferências. O olhômetro do torcedor é infalível. No estádio, trabalho, escola ou botequim ele vê quem é quem e faz seu ranque.

A multiplicação do nome do clube país afora é outra forma de avaliação porém injusta com os clubes que têm o mesmo nome da cidade onde nasceram e atuam. Por esse critério São Paulo e Coritiba saem prejudicados.

O clube paulista perderia para o Botafogo do Rio de Janeiro, a quem supera largamente no IBOPE. O Corinthians, sem essa desvantagem sai-se bem em todas as pesquisas.É o primeiro em São Paulo e no Brasil. Vou deixar de lado as avaliações informais e me deter nas que têm reconhecimento científico.

Em 1983, pesquisa Gallup colocava o Corinthians bem atrás do Flamengo: 17% contra 31%. O Flamengo beneficiava-se da sua condição de clube da Capital da República, quando o Rio de Janeiro exercia influência preponderante no país. O Flamengo espalhou-se Brasil afora pelas ondas da Rádio Nacional.

Nenhum demérito, ao contrário. O Corinthians ampliou continuamente sua torcida, dentro e fora de São Paulo e também se beneficiou da maior cobertura da TV. Seus jogos passaram a ser vistos em todo o país e em 2001 já ultrapassava o Flamengo na pesquisa IBOPE, especialmente nas regiões metropolitanas.

O time carioca conservava a liderança nos rincões do Nordeste. Na última pesquisa IBOPE, feita entre 1º e 4 de novembro de 2002, o Corin-thians consolidou sua posição, com 16%, contra 15% do Flamengo. São Paulo e Palmeiras vieram a seguir, com 10 e 8% respectivamente.

Fora do eixo Rio-S.Paulo os destaques ficam por conta de Atlético e Cruzeiro de Minas Gerais (4 e 3%), Bahia e Grêmio de Porto Alegre com 3%, mesmo percentual do Santos.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 22/02/2003.