Antonio Roque Citadini

A perda da posição de titular em um time grande muitas vezes destrói a carreira de um jogador. Não raro atletas ainda jovens não têm força e equilíbrio para absorver o choque e desaparecem do cenário esportivo.

Outros, ao contrário, mesmo se inconformados com a decisão de técnico e clube vão à luta e em campo comportam-se com naturalidade, seja ao substituir quem lhes tomou o lugar ou com a camisa de outro clube. Luis Morais, Cabeção, foi um desses.

Formou-se nas categorias inferiores do Corinthians e aos 19 anos, estreou no time principal em partida oficial do Campeonato Paulista de 1949, contra a Portuguesa Santista. Como titular absoluto foi campeão em 51. No ano seguinte, na campanha do bicampeonato, perdeu o posto para Gilmar, de quem chegou a ser chamado eterno reserva.

Cabeção não levou a sério tal profecia e com sua presença no gol em muitos jogos foi decisivo para a conquista do ambicionado título de Campeão do Centenário.

Também foi titular em outras conquistas importantes, como Torneio das Missões, Rio-São Paulo, Pequena Taça do Mundo e a Taça Prefeitura de São Paulo. Cabeção vestiu a camisa da Seleção em amistosos e foi reserva de Castilho na Copa de 54, na Suíça.

Sua última partida oficial pelo Corinthians foi em 24 de agosto de 1966, contra a Portuguesa. Para a torcida do Corinthians Cabeção é Titular Eterno.

(Reprodução)

Cabeção

O Expresso, Capão Bonito/SP, 15/02/2003.