Antonio Roque Citadini


Não faltam estatísticas sobre artilheiros do futebol brasileiro mas não lembro de nenhuma específica sobre gols de cabeça. Minha curiosidade tem uma razão especial: gostaria de saber quantos se aproximaram ou até ultrapassaram a marca de Baltazar, o Cabecinha de Ouro, inesquecível ídolo corintiano.

Pouco mais da quarta parte dos gols feitos pelo Corinthians – 71 em 267 - foram de cabeça. Por prudência não ouso dizer que tenha sido o recordista na matéria. Pelé, ao contrário de Ronaldo, era um grande cabeceador.

Quantos dos seus milhares foram gols de cabeça? Santista, Baltazar, na verdade Oswaldo Silva, é um caso único de ter como apelido nome próprio, o do irmão mais velho.

A torcida achava seu jogo parecido com o do irmão, obrigado a abandonar o esporte por contusão e implicância do pai e passou a chamá-lo Baltazar e o Oswaldo foi esquecido. Baltazar estreou no Corinthians em 15 de novembro de 1945, aos 19 anos de idade.

Em fevereiro de 1950 foi campeão do Rio-São Paulo e por seu desempenho chamado para a Seleção de 50 por Flávio Costa. Embora tenha tido destacada atuação contra o Paraguai na Taça Oswaldo Cruz e contra o Uruguai na Taça Rio Branco, não foi o centroa-vante titular, perdendo o posto para Ademir de Menezes.

Mas estava presente na conquista do Pan Americano de Futebol, um consolo para o torcedor ainda triste com a derrota do Brasil em 50, no Maracanã. Baltazar voltaria a ser chamado para outra Copa do Mundo, a da Suíça, por Zezé Moreira, após brilhantes atuações nas eliminatórias porém ficou fora do time titular.

Baltazar jogou no Corinthians por doze anos e também foi técnico do time principal. Segundo artilheiro da história do clube teve companheiros como Gilmar e Luizinho. E está presente na música popular, como personagem da marcha “Gol de Baltazar”, de Alfredo Borba, em homenagem pela artilharia na conquista do título paulista de 1952.

(Reprodução)

Baltazar, o Cabecinha de Ouro


O Expresso, Capão Bonito/SP, 25/01/2003.