Antonio Roque Citadini



Tamanho não é documento, segundo o ditado popular, mas no esporte, inclusive futebol, para muita gente boa, como o técnico Rubens Minelli, conta e muito. Não obstante, o futebol brasileiro pode alinhar, ao longo de sua história, uma série de astros baixinhos.

É o caso de Romário, quase quarentão e ainda artilheiro. Mas o craque pioneiro, entre os baixinhos, foi Luiz Trochillo, ou Luizinho ou o Pequeno Polegar (1930-1998), glória do Corinthians.

O menino Luizinho frequentava o Parque São Jorge para ver de perto Teleco e Servílio e não apenas pelo deleite com seus dribles maravilhosos, passes e chutes precisos. Ao prazer juntava o desejo de aprender, a observação de cada movimento de seus ídolos.

Mais tarde, iria tentar reproduzir no Maria Zélia, na Várzea, o que Teleco e Servílio faziam jogando pelo Corinthians. Não tardou a ser notado pelo pessoal do clube e chamado para treinar no já famoso Parque.

O menino correspondeu plenamente e no dia 28 de novembro de 1948, aos 18 anos, estreou no time profissional em jogo amistoso contra o Hepacaré de Lorena e deixou sua marca na rede adversária na vitória por 5x1.

Coroou assim a escalada iniciada como Campeão Infantil, Juvenil, Amador e Aspirante. Dois anos mais tarde, em 50, iniciaria uma série de conquistas como profissional: Campeão do Torneio Rio - São Paulo, em seguida o campeonato paulista de 51, que pôs fim a um jejum de nove anos de títulos estaduais.

Bicampeão paulista em 52, no ano seguinte o Corinthians conseguiu novo Rio - São Paulo e também a Pequena Copa do Mundo que daria a Luizinho a Taça Copa Adamis “al mejor goleador de la serie internacional”. Em 1954 mais um Rio - São Paulo e o histórico Paulistão do IV Centenário, com seu gol decisivo no empate que assegurou o título.

Luizinho também teve atuação destacada na Seleção Brasileira, com vitórias sobre o Chile (Taça Bernardo O’Higgins); Taça Oswaldo Cruz, contra o Paraguai; quebra do tabu em jogos contra a Argentina e conquista do título de Vice-Campeão Sul-americano e ainda a Copa Roca em 1957.

Luizinho encerrou sua carreira no Timão em 21 de setembro de 1967, na vitória de 4x0 sobre o Bragantino. Depois de pendurar as chuteiras ocupou o posto de técnico do Corinthians por três vezes, em ocasiões distintas, no intervalo entre a saída de um técnico e a vinda de outro.

Como jogador, defendeu o Clube em 606 partidas e marcou 172 gols. Com essa ficha é considerado pela torcida um Gigante, apesar de justificar, com seu 1 metro e 64 centímetros o apelido de Pequeno Polegar.

(Reprodução)

Luizinho, o Pequeno Polegar


O Expresso, Capão Bonito/SP, 18/01/2003.