Antonio Roque Citadini

Clubes de tradição, colecionadores de títulos regionais e nacionais, estão sob ameaça de cair para a 2ª Divisão. A antiga tábua de salvação, a maldita virada de mesa, parece excluída, o que dá alento aos clubes em condições de acesso e sinaliza uma 2ª Divisão ainda mais atraente em 2003.

O campeonato nacional no sistema de todos contra todos, em dois turnos, como está proposto, só tem a ganhar com uma 2a. Divisão forte. É em situações como essa que os clubes candidatos ao rebaixamento mais necessitam do apoio de suas torcidas.

Como corintiano orgulho-me de ter participado da epopéia da valente torcida que reverenciou seu clube com o nome Timão justamente durante o período de vacas magras. Parece incrível um clube manter e ampliar sua torcida durante 23 anos sem título. Nada dava certo.

O clube formou grandes e famosas esquadras, despertou entusiasmo com boas contratações. Garrincha, Nair, Ditão, Paulo Borges, Flávio, Buião e tantos outros craques. Nasce nessa fase o nome que se transformaria em marca do Corin-thians, TIMÃO.

Uma das mais audaciosas tentativas foi feita em 1960, por Vicente Mateus, então presidente: desembolsou seis milhões e meio de cruzeiros pelo passe de Almir, chamado de o Pelé Branco. A estréia foi enganosa. Contra o Vasco da Gama, seu ex-clube, Almir abriu o placar na vitória por 3 x 1.

Mas em 27 jogos marcou apenas 4 gols e deixou o Corinthians após a derrota de 2 x 1 para o Flamengo. Junto com a torcida, lamento o insucesso de Almir no Corinthians e as vicissitudes que o craque enfrentou até sua morte trágica. Em seu livro de memórias nada escondeu.

Contou que jogou dopado na partida contra o Milan que decidiria o título do interclubes de 1961 e disse que o juiz estava “acertado”. Pelo que fez em campo sem aditivos ou complacência de juiz realmente não precisava enfeitar sua biografia.

(Reprodução)

Almir, o Pernambuquinho


O Expresso, Capão Bonito/SP, 16/11/2002.