Antonio Roque Citadini


Nem só isoladamente os craques fazem história no futebol. Junto com um companheiro, em dupla, ou com dois, em trio, às vezes ganham mais destaque. Pelé é a exceção mas seu parceiro no ataque e artilharia do Santos, Coutinho, independente de seus méritos, raramente é lembrado como o Centro-Avante, o Goleador.

Aparece mesmo é como membro da dupla infernal Pelé-Coutinho. O Corinthians também consagrou duplas e trios. Sócrates-Casagrande, ao contrário de Pelé e Coutinho, brilharam juntos e também depois de separados. O alvinegro foi para eles uma grande vitrine e portão de embarque para a Seleção. Não é caso dos craques de dois grandes trios corintianos, Tuffy, Grané e Del Debbio e de Jango, Brandão e Dino.

Tuffy Neugen era um goleiro excepcional. Santista, jogou no Sírio e no Santos e ao chegar ao Corinthians, em 1928, com sua coragem e habilidade na defesa de pênaltis contribuiu para a conquista do campeonato, o primeiro do tri 28-29-30. Para os atacantes adversários fazia jus ao apelido de 'Satanás', vestido todo de preto e jogando no inferno suas pretensões de vitória.

Grané, 'beque' direito, bom na marcação e um perigo na cobrança de faltas, foi apelidado '420', como era chamado o canhão alemão de maior calibre na época, foi outro trunfo corintiano na conquista do tri.

Completava o trio Del Debbio, lateral-esquerdo, duas vezes tricampeão, a primeira em 22-23-24. Foi campeão em 37 e 39, quando já veterano, em uma emergência, além de técnico teve que entrar em campo.

Nos trios famosos criados pelos torcedores nem sempre têm explicações nascidas de posições em campo ou de formas de atuação. São frutos da relação apaixonada do torcedor com o time e os jogadores. João Freire Filho, o Jango, médio-direito, veio do Coritiba, e, no Corinthians foi um craque discreto e com atuações de regularidade.

O centromédio José Augusto Brandão, nascido em Taubaté, em 1910, transferiu-se da Portuguesa para a Fazendinha em 1935. Clássico e abnegado, foi um dos primeiros corintianos a defender a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo (França, 1938). Jango e Brandão atuaram nas conquistas alvinegras do tri-campeonato em 37-38-39 e do campeonato de 1941.

Osvaldo Rodolpho da Silva, o Dino, era médio-esquerdo e veio da Portuguesa Santista e, no Corinthians, marcou época pelo estilo vistoso de jogar. Sua elegância em campo, valeu-lhe o apelido de Dino 'Pavão'. Assim os velhos corinthianos festejam sempre Tuffy, Grané e Del Débbio, bem como Jango, Brandão e Dino.


(Reprodução)

Tuffy, Grané e Del Débbio


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Jango e Dino


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Brandão


O Expresso, Capão Bonito/SP, 09/11/2002.