Antonio Roque Citadini


A maioria vê o Corinthians pela sua face mais exposta, a do futebol. Nada de mal ou de errado nisso, uma vez que o clube foi formado em função desse esporte e seu nome resultou do entusiasmo da maioria de seus fundadores pelo futebol do Corinthians inglês, durante sua temporada em São Paulo.

Uma visita à sede do clube pode surpreender quem o imagina dedicado a um só esporte. Do lado esquerdo da avenida central, está o pequeno estádio, palco de treinos e jogos da 2a. Divisão. Do lado direito, o ginásio poli-esportivo. Se o visitante subir a escada à esquerda, no mesmo prédio, poderá visitar a sala de troféus.

Aí verá, ao lado das taças de variados tamanhos, formatos e materiais conquistados pelo futebol, outra grande variedade de taças e placas de outros esportes. Uma curiosidade: a primeira conquista do Corinthians foi no atletismo, em 1912, antes da sucessão de vitórias no futebol. O basquetebol corintiano foi outra grande fonte de alegria da torcida.

O clube construiu a primeira quadra em 1928 e quatro anos depois já conseguia os primeiros títulos. Com o amadurecimento do setor no clube viriam conquistas relevantes no plano municipal, estadual, federal e internacional, com a vitória no sul americano. Remo ( está no escudo do clube), natação, pugilismo e artes marciais, há de tudo no Corinthians.

O clube não faz mais, nos demais esportes, pela carência de recursos. O futebol, único esporte que proporciona rendas regulares, não consegue cobrir totalmente seus gastos por motivos já conhecidos dos leitores dessa coluna. Cada modalidade esportiva exige uma infra-estru-tura cara, além do custo de manutenção. Mesmo fora do futebol, a maioria dos atletas precisa de algum tipo de ajuda financeira se quiser participar de competições importantes.

Aonde buscar tais recursos? Grandes empresas de repente adotam uma equipe de um esporte qualquer, impõe-lhe seu nome (marca a ser popularizada) e depois uma ou mais competições dão o fora. Diferente dos clubes não têm compromisso com o esporte. Já os clubes dificilmente encontram patrocínio e nenhum estímulo do poder público eis um bom tema para colocar na mesa do novo presidente.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 26/10/2002.