Antonio Roque Citadini

Impossível medir a torcida do Corinthians. O Censo demandaria tempo, muito dinheiro e o número apura o logo estaria ultrapassado pois novos torcedores, sobretudo crianças, juntar-se-iam à Nação Corinthiana. O processo iniciou-se há exatamente 92 anos e jamais parou.

Quem personifica essa história é D.Elisa Alves do Nascimento ou simplesmente Elisa, torcedora símbolo do clube. Elisa nasceu em 1910, ano de fundação do Corinthians, em Tietê. De família pobre começou a trabalhar cedo. Na Capital, graças a seu talento para culinária não teve dificuldade de conseguir trabalho e tornou-se uma cozinheira muito requisitada.

Logo se interessou pelo futebol e a convivência no meio operário levou-a a se tornar amiga de um dos fundadores do Corinthians, Antonio Pereira. Presença infalível nos jogos do time passou a ser notada e admirada por torcedores e dirigentes. Junto com um grupo de amigas, bandeira em punho, aplaudia e incentivava seu onze querido. Nos bons e maus momentos.

Desses houve muitos nos anos 60 e 70 mas ninguém viu ou ouviu Elisa maldizer o time, xingar (impossível) um jogador ou mesmo atacar torcedor de time adversário. Caso Elisa tivesse nascido às margens do Tamisa, não do Tietê, teriam lhe creditado a invenção da palavra fair play.

O Barão de Coubertin, criador das Olimpíadas modernas, caso a conhecesse, por certo dar-lhe-ia Medalha de Ouro, por encarnar, como torcedora, o ideal olímpico. Jogadores e torcedores não concebiam estádio sem sua presença. Elisa morreu aos 77 anos, no dia 1 de agosto de 1987. Mas continua presente no Parque São Jorge, onde a placa com estes dizeres a homenageia:

A você, ELISA, símbolo da torcida corinthiana, sempre presente em nossos corações pela garra, fé e lição de vida. Nossa homenagem em nome de todos os corinthianos.

E mais presente ainda com suas próprias palavras: Minha alma também é preta e branca. Sou toda Corinthians por dentro e por fora.

(Reprodução)

Elisa Alves do Nascimento, a Dona Elisa


O Expresso, Capão Bonito/SP, 19/10/2002.