Antonio Roque Citadini


O título de Campeão Paulista é dos mais cobiçados e disputados, desde o seu início. A rivalidade regional, paulista, supera a nacional, não obstante a qualidade dos demais adversários. Vitória do Corinthians sobre Palmeiras, Santos ou São Paulo tem sabor diferente de outra contra adversários respeitáveis como Flamengo, Vasco ou Grêmio.

Imaginem o significado do título paulista de 1922, o do 1º Centenário da Independência do Brasil. Esta conquista, em particular, merece maiores louvores. 1922 foi um ano singular pela Semana de Arte Moderna, marco irremovível da cultura brasileira.

E também por outra revolução, feita com o sangue de jovens oficiais no Forte de Copacabana, no Rio, em 5 de julho, primeira grande erupção do Movimento Tenista que iria dar nova cara ao país. 1922 trouxe igualmente grandes novidades no esporte. Travou-se, pela primeira vez, a disputa de seleções estaduais. São Paulo interrompeu seu campeonato para participar do grande torneio. Valeu! Ficou com o título.

O Centenário ainda motivou a realização do 1o. Campeonato Sul-Americano de Futebol, no Rio de Janeiro e o Brasil foi o campeão. O Corinthians deu grande contribuição para esta conquista através de seus craques Neco, Amílcar, Tatu e Rodrigues.

O Corinthians iniciou 1922 com muita disposição. O título em jogo era extraordinário, só haveria outro semelhante um século mais tarde. Impossível oportunidade igual para redimir-se da derrota no ano anterior, quando deixara escapar o título ao perder para seu maior rival, o Palestra Itália.

Depois de um empate contra o Palestra no primeiro jogo, o Corinthians conseguiu uma série de goleadas: 5x0 contra o Germânia; 6x3 contra a AA das Palmeiras; 9x0 contra o Internacional; 4x0 contra o Minas Gerais; o São Bento apanhou de 7x0.

Apesar das goleadas o time teve alguns tropeços e no finzinho do campeonato estava um ponto atrás do Palestra. O Paulistano, candidato ao título, despachou os palestrinos com humilhante 5 x 1.

No jogo final, contra o Corinthians, perdeu por 2 x 0 e deu-lhe o título.
Impossível omitir a escalação do time CAMPEÃO DO CENTENÁRIO. Ei-la: Mário, Rafael e Del Debbio; Gelindo, Amílcar e Ciasca; Peres, Neco, Gambarotta; Tatu e Rodrigues.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 05/10/2002.