Antonio Roque Citadini


É grande a lista de jogadores que escreveram as mais belas páginas da história do Corinthians. Alguns são diariamente lembrados, como Sócrates, Rivelino, Marcelinho.

Outros igualmente importantes para o clube nem sempre são festejados. Talvez porque atuaram há mais de 30 anos. Carbone é um desses jogadores que merecem gratidão perene. Iniciou sua carreira no Juventus e veio para o Corinthians no início da década de 50.

(Reprodução)


Começou em uma fase ruim para os alvinegros. Quando o Corinthians perdeu - em 1951 - para a Portuguesa de 7 a 3 a torcida começou a pegar no pé do novo atacante mas ele não se abateu. O cavador de gols, como passou a ser chamado, mostrou valentia e personalidade para consolidar-se como grande artilheiro da década.


Com Claudio, Luizinho, Baltazar e Mário formou uma poderosa linha de ataque que superou a barreira dos cem gols (103). Foi campeão paulista em 1951, com 30 gols e bi-campeão em 1952. Ao transferir-se para o Bota-fogo de Ribeirão Preto deixou um legado de 233 jogos e 134 gols.


Wladimir é outro craque cujo nome é sinônimo de Corinthians. Começou naquele período aziago em que o clube não conseguia títulos. Em uma excursão pela Europa, em 1972, o linha dura Yustrich resolveu lançar o menino que viera do juvenil e tinha fama de bom lateral esquerdo.


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O menino tomou conta da posição e fez 803 jogos pelo Corinthians, marca até agora não alcançada por qualquer outro jogador. Com o Timão ultrapassou a fase das derrotas e inaugurou a das vitórias no campeonato de 1977, seguido pelos de 1979, 1982 e 1983.


Com Sócrates, Casagrande e Zenon jogou num esquadrão histórico, forte e inovador que o clube constituiu no início dos anos de 1980. Na primeira metade do Século XX a discriminação contra o negro desconhecia limites.



O football, esporte inglês, cultivado pela elite, não admitia negros.


O Corinthians, clube popular, tentou inscrever um negro, Davi. A Liga negou-lhe registro. Somente anos depois, em 1919, em nova tentativa do Corinthians, Bingo, um negro, foi aceito: Asdrúbal Cunha, Bingo. Era bom atacante, chutava de esquerda e direita e marcava muitos gols.

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Poucos clubes aceitaram correr o risco de incluir jogadores negros em suas equipes. Foi um marco para o Corinthians e para o futebol. Abriu caminho para a chegada de Teleco, negro,artilheiro e que viria se tornar outro grande ídolo da nação alvinegra.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 27/09/2002.