Antonio Roque Citadini


O primeiro campeonato paulista de futebol profissional foi realizado em 1933 e o Corinthians participou mandando seus jogos em estádio próprio, a Fazendinha.

O nome, como é fácil adivinhar, provém da natureza do amplo terreno, uma verdadeira fazenda na São Paulo de 1926, não um latifúndio.

Mesmo assim foi uma proeza a compra. O clube não tinha receitas compatíveis com o elevado investimento (750 contos de reis, quantia que exigiria uma infinidade de cálculos para traduzi-la na moeda atual) e os vendedores, os empresários Nagib Salem e Assad Abdala, confiaram no clube.

Mais audacioso ainda foi o empresário Alfredo Schurig, que ajudara na construção da sede, vendendo material a preço de custo e mais tarde pagando do próprio bolso o restante da dívida, exatamente 227 contos de reis.

Dez mil pessoas, público respeitável para a época, foram à inauguração do estádio no dia 22 de julho de 1928, quando se enfrentaram os campeões do Centenário da Independência em seus respectivos estados: o Corinthians e o América do Rio de Janeiro. Antes do jogo (empate de 2 x 2) anfitrião e visitante trocaram gentilezas.

O Corinthians presenteou o América com uma bandeira do clube confeccionada especialmente para festejar o acontecimento. E o visitante retribuiu com uma escultura em bronze, Char de La Victoire.

Alfredo Schurig, o homem que pagou quase um terço da sede, foi eleito presidente do clube, por indicação do antecessor, Felipe Collona e dá seu nome ao estádio. Relembro a origem da Fazendinha no momento em que ela está às vésperas de nova e importante mudança. Aguardem.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 31/08/2002.