Antonio Roque Citadini


A rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, perene fonte de motivação para o futebol em São Paulo, nasceu há 85 anos e certamente jamais morrerá.

Campeonato Paulista, Torneio Rio-São Paulo, Campeonato Brasileiro, qualquer competição perderia muito sem essa acirrada disputa. Ao longo da história ela se enquadra em uma definição do Dicionário Houaiss para rivalidade: “oposição, por vezes lúdicas, geralmente sem grandes consequências, entre dois ou mais indivíduos, grupos, instituições, que perseguem o mesmo objetivo e em que cada lado visa suplantar o outro.”

Tal disputa começou realmente de forma lúdica. Em 6 de maio de 1917 o Corinthians, campeão invicto da Liga Paulista de Futebol, ingressou na entidade rival, a Associação Paulista de Esportes Atléticos e no primeiro confronto com o Palestra Itália perdeu por 3 x 0. O alvinegro terminou o campeonato em quarto lugar e seus adeptos não esqueceram aquela derrota no Parque Antártica. Daí em diante o Palestra, depois da II Guerra Palmeiras, tornar-se-ia o principal adversário do Timão.

No campo da gozação a iniciativa coube aos palestrinos mas o desfecho seria favorável aos corintianos. Foi no 13 de Maio de 1918 o segundo confronto. Como era costume na época, os times se reuniam no almoço, antes do jogo. O Corinthians escolheu o restaurante de um hotel na Rua Boa Vista, no Centro. Um grupo de palestrinos ao descobrir os novos rivais no restaurante fizeram uma divertida provocação.

Jogaram no salão, no meio dos jogadores, um osso de boi com uma mensagem: “O Corinthians é a canja para o Palestra.” Não é preciso dizer como os dois times lutaram pela vitória. No final um empate de 3 x 3 e a bem humorada resposta do Corinthians: guardaram o osso como troféu e a inscrição “Este osso era para a canja e não cozinhou por ser duro.”

O osso continua reverenciado no Parque São Jorge...


O Expresso, Capão Bonito/SP, 25/05/2002.