Antonio Roque Citadini


A história do Corinthians está cheia de dirigentes abnegados, de homens que se irmanaram ao clube. Alfredo Ignatio Trindade foi um deles. Comerciário, fez carreira na SKF, empresa sueca de rolamentos e mais tarde também se destacou na política.Colaborador da gestão de Manoel Correcher, quando o Corinthians conquistou seu primeiro campeonato profissional em 1937, ponto de partida para o terceiro título de Tricampeão Paulista, tornou-se presidente em 1944. Foram anos difíceis na vida do clube, de jejum de títulos a conquista do Campeonato Paulista em 1941.

Mas o trabalho recuperação das finanças e de organização daria frutos mais tarde. Trindade voltou à presidência do Corinthians em 1949 e em sua nova gestão viveu o que a imprensa chamaria de “anos dourados Mosqueteiro”. As conquistas se sucederam. Torneio Rio-São Paulo, então o maior título do futebol brasileiro, em 50, 53 e 54. Bi-Campeonato Paulista em 51-52.

A Pequena Taça do Mundo em 53 e duas vezes a Taça dos Invictos, em 56 e 57. Foi em sua gestão o primeiro jogo do clube no exterior, contra um combinado uruguaio em Montevidéu e brilhante vitória por 4 x 1. Pode-se dizer que o estilo de Trindade muito contribuiu, ao lado da boa gestão, para a sua popularidade. Seu inseparável charuto, que se transformaria em símbolo do clube, é um bom exemplo.

Outro é o seu comportamento nas grandes conquistas: Trindade juntava-se aos jogadores e carregava os troféus nas voltas comemorativas dentro do estádio. Trindade sabia combinar a sobriedade e frieza no trabalho e a emoção na arena.

(Reprodução)

O presidente Alfredo Ignácio Trindade.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 25/03/2002.