Antonio Roque Citadini


Criado no início do Século XX, o Corinthians acumulou vitórias, títulos e também alcunhas ao longo de sua história. Neste particular talvez nenhum outro clube o supere. Foi uma caminhada acidentada, cheia de obstáculos, para o hoje esquecido “Clube dos Calções Pretos”, como escreviam os jornais dos anos 10 e 20, ficar consagrado como Timão. O uniforme continuou o mesmo, calção preto e camisa branca, mas a alcunha mudou, por força de uma vitória consagradora, o título de “Campeão dos Campeões”, conquistado no campo embora não oficializado por liga nenhuma.

Sua origem é motivo de polêmica: teria nascido da vitória sobre os campeões paulistas de 1915 pela APEA, o Palmeiras, por 3 x 0 e outra vitória pelo campeão da LPF, o Germânia, por 4 x 1. Ou na vitória sobre o Vasco da Gama, campeão do Rio, em 1930. Datas históricas, como o Centenário da Independência do Brasil (1922) e o IV Centenário da Cidade de São Paulo (1954), por coincidirem com a conquista de campeonatos paulistas, transformaram-se em alcunhas do Corinthians. A construção de seu estádio também iria servir de alcunha, com a novidade do Grêmio ou Time do Parque São Jorge.

Outras alcunhas viriam da associação de três jogadores com heróis de célebre romance e de um hábito dos torcedores. O jornalista Thomaz Mazzoni, impressionado com a vitória do Corinthians contra o Barrancas da Argentina, chamou o time Mosqueteiro, denominação que logo se popularizou. Para a torcida, fora uma homenagem do jornalista ao trio defensivo do time, formado por Tuffy, Grané e Del Debbio. Nos anos 50 o clube receberia a denominação de Charuto, porque ninguém sabe a razão, tornou-se moda fumar charuto nos estádios em jogos do Corinthians.

Um concurso promovido pela TV-Paulista (atual TV-Globo) em parceria com o jornal Última Hora, em 1955, daria ao Corinthians o título de Mais Querido. Nos anos 60, na gestão de Wadih Helu, nasceu a alcunha que permanece. Como sempre, começou na imprensa e logo foi adotada pela torcida. O ponto de partida foi a ousada série de contratações de grandes craques, como o imortal Garrincha.

Só um TIMÃO seria digno dele.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 09/03/2002.