Antonio Roque Citadini


É antiga a ligação entre intelectuais e o esporte. Ninguém esquece do “ mente sadia em corpo sadio” ouvido na escola. Com o futebol dá-se o mesmo. No Brasil o esporte começou na elite e seus primeiros praticantes nada tinham de comum com a maioria dos atletas profissionais de hoje.

Tinham dinheiro e instrução. Os pobres, graças aos terrenos baldios da várzea e às bolas de meia, de bexiga de boi, etc., conseguiram praticá-lo e, mais ainda, aperfeiçoa-lo.

Se os intelectuais, de qualquer classe social, tiveram olhos e ouvidos para as criações populares, não poderiam desprezar o futebol só porque o esporte emigrou da City para a várzea. Escritores como José Lins do Rego e Nelson Rodrigues adoravam o futebol e eram capazes de matar e morrer pelos seus times, o Flamengo e o Fluminense. Em São Paulo, igual paixão pelo Corinthians tinha José de Alcântara Machado d’Oliveira (1875-1941).

O autor de “Vida e Morte do Bandeirante”, paulista de Piracicaba, deixou seu nome na literatura, nas letras jurídicas e na política. Impossível escrever a história de São Paulo, sob qualquer ângulo, sem o mencionar. É o que acontece quando se fala do futebol. Torcedor do Corinthians, teve seu nome lembrado para a presidência do clube em eleição na qual não figurava como concorrente.

Mais tarde, pelos serviços prestados, foi Presidente Honorário do Corinthians e na inauguração do estádio do Clube na Ponte Grande, em 1918, deu o ponta pé inicial no jogo comemorativo, justamente contra o Palestra Itália e que terminou, como convém a uma festa, empatado de 3 x 3.

Na esteira de Alcântara Machado, outros intelectuais incorporaram-se à Nação Corintiana. Mas isso é assunto para outras histórias.

(Reprodução)

O presidente Alcântara Machado


O Expresso, Capão Bonito/SP, 02/03/2002.