Antonio Roque Citadini


A carreira do goleiro Roger foi muito prejudicada e quase terminou antes da hora porque ele aceitou posar nu para uma revista gay. O São Paulo afastou-o, emprestou-o a um clube de menor expressão e só o reintegrou ao elenco quando o episódio já parecia esquecido. É inquestionável que a carreira do atleta foi prejudicada. Episódio semelhante aconteceu no Corinthians mas a atitude do clube foi diametralmente oposta à do São Paulo. Vampeta e Dinei, dois ícones do clube, posaram para a mesma revista, igualmente com o uniforme com que vieram ao mundo mas não sofreram nenhuma represália, embora a repercussão na imprensa tivesse sido igual ou maior que a do caso Roger.

Quem lembra isso hoje? Quase ninguém e não se pode dizer que a imagem do Corinthians tivesse sido arranhada. Quem conhece a história do Corinthians não se surpreende e menos ainda se choca com o comportamento do clube no episódio. Discriminação e Corinthians decididamente não rimam. O clube foi fundado quase que somente por italianos e portugueses de condição econômica modesta, ao contrário da maioria dos clubes da época, caracterizados como de “colônia”, isto é, de alemães, italianos, etc.

O Corinthians acolheu todos os que bateram à sua porta: árabes, ditos “turcos”, armênios, judeus, baianos, negro e assim por diante. Não importava a etnia nem a profissão, o que levou o clube a ser chamado de time de carroceiros, time de preto, de baiano, e mais recentemente de time de maloqueiro e time de favelado. Os adjetivos preconceituosos tiveram o mérito de mostrar que o Corinthians é, na realidade, uma amostra perfeita do Brasil, daí seus adeptos orgulhosamente se intitularem de Nação.

Existe, de fato, uma Nação Corintiana e nela não há lugar para a intolerância e o preconceito.


(Reprodução)

O ídolo Vampeta posa na revista G.


O Expresso, Capão Bonito/SP, 16/02/2002.