Antonio Roque Citadini


Os dez maiores artilheiros do Corinthians são onze.

Sim, isso mesmo: os 10 são 11 porque há um empate no sétimo lugar entre Luizinho, o Pequeno Polegar, e Sócrates, ambos com 172 gols. Se o torcedor corintiano quiser o desempate, um critério a adotar poderia ser o número de gols relacionado aos anos de atividade no Clube. Nesse caso o doutor Sócrates seria o verdadeiro sétimo, por ter feito 172 gols em seis anos, contra os 19 anos de Luizinho. A velha guarda poderá contestar com o argumento de que naquela época os clubes não jogavam tanto quanto agora.

De minha parte, creio que o mesmo lugar no pódio enobrece os dois.

O Número 1- não há controvérsia, é Claudio Christovam de Pinho, o Gerente, com 306 gols, em doze anos, de 1945 a 1957. Em São Paulo, a maioria esperava sua convocação para a Seleção de 50, mas o técnico Flávio Costa optou por preencher a vaga com mais um defensor, Alfredo II, do seu Vasco da Gama.

Deixa pra lá. O segundo artilheiro foi Oswaldo Silva, chamado Baltazar por sua semelhança com o irmão, também jogador de futebol e apelidado de Cabecinha de Ouro pela torcida, por ser ótimo cabeceador.

Seus 267 gols serviram de inspiração ao compositor Alfredo Borba para um dos grandes sucessos do Carnaval de 52, "Gol de Baltazar". Era tão amado pela torcida que dela recebeu de presente um automóvel, quando perdeu o seu em um incêndio. Uriel Fernandes, Teleco, veio do Paraná, indicado por Neco e com o terceiro lugar, 254 gols, ficou à frente do amigo e padrinho. Seu gol mais famoso, de cabeça, foi contra o Palestra Itália, em 37, considerado um milagre: machucado, jogou no sacrifício.

O quarto foi Manoel Nunes, Neco, o Primeiro Ídolo do Corinthians, com 239 gols.

Os dois quase nasceram juntos e cresceram juntos, da várzea aos títulos nos grandes estádios. Marcelo Pereira Surcin, Marcelinho Carioca, vem a seguir, com 203 gols em sete anos no Clube. Vindo do Flamengo, conseguiu a proeza de em sete anos tornar-se o jogador que mais títulos conquistou no clube, inclusive o Mundial. Após desentendimento, foi para o Santos e a seguir para o Japão.

O sexto artilheiro, Servílio, marcou 199 vezes, de 1938 a 1949, e por sua origem, São Félix, da Bahia, contribuiu para incorporar um grande contingente de baianos à torcida. Além de goleador, tinha uma técnica refinada, que lhe valeu o apelido de Bailarino.

Flávio Almeida da Fonseca, apelidado de Minuano por ser gaúcho, figura no oitavo lugar graças aos seus 166 gols. Embora tenha conseguido a proeza de ser artilheiro do Rio-São Paulo em 1965 (14 gols) e do Campeonato Paulista em 1967 (21 gols) competindo com Pelé, era amaldiçoado pela imprensa de São Paulo.

O nono lugar pertence a Paulo Pisaneschi, ora chamado de Carvoeiro, por causa de sua profissão, ora Paulo Tanque, por conta do porte avantajado. Em seis anos balançou as redes 149 vezes.

O décimo na artilharia é, na realidade, o primeiro em muitos outros itens: Roberto Rivelino. Seus 141 gols (quantos deles belíssimos?!) são complementos naturais de seu futebol de primeiríssima linha.

JOGADOR
(Clique sobre o nome para ver a foto do jogador)

PERÍODO

GOLS

Claudio Christovam de Pinho, “Gerente”

28/11/1948 a 21/9/1967

306

Oswaldo Silva, “Baltazar”, “Cabecinha de Ouro”

15/11/1945 a 26/4/1957

267

Uriel Fernandes, “Teleco”

16/12/1934 a 12/3/1944

254

Manoel Nunes, “Neco”

19/10/1913 a 31/8/1930

239

Marcelo Pereira Surcin, “Marcelinho Carioca”

19/1/1994 a 27/6/2001

203

Servílio de Jesus, “Servílio”, “Bailarino”

3/5/1938 a 8/5/1949

199

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, “Sócrates”, “Doutor”

20/8/1978 a 10/6/1984

172

Luiz Trochillo, “Luizinho”, “Pequeno Polegar”

28/11/1948 a 21/9/1967

172

Flávio Almeida da Fonseca, “Minuano”

15/3/1964 a 15/1/1969

166

Paulo Pisaneschi, “Paulo Tanque”, “Carvoeiro”

13/2/1954 a 6/3/1960

149

Roberto Rivelino, “Rivelino”

13/01/1965 a 22/12/1974

141

 


O Expresso, Capão Bonito/SP, 09/02/2002.