Antonio Roque Citadini


Em 1953 o Corinthians já era respeitado em São Paulo e também no País. Maior prova de reconhecimento foi o convite para representar o Brasil na Pequena Copa do Mundo realizada em Caracas, de onde voltou com o título, muito celebrado, não só por corintia-nos. Vitória em torneio internacional desse porte, fora de casa, após o fiasco de 50 no Maracanã, era um milagroso bálsamo para o orgulho ferido do brasileiro.

Todos queriam ver o grande time em ação. Até mesmo os presidiários. O convite para a realização de um treino no Carandiru foi feito pelo sr. Silva Teles, uma autoridade do sistema penitenciário avançada para a época. Antes ele levara o São Paulo e sentiu-se obrigado a fazer o máximo para proporcionar aos seus involuntários “clientes” uma exibição do Corinthians. O Clube entendeu o alcance do pedido e programou para uma sexta-feira, no Carandiru, o último coletivo para o importantíssimo clássico de domingo com o Santos.


O então chamado “apronto”. Detentos, funcionários e jornalistas viram um grande espetáculo, encenado pelos inesquecíveis astros Baltasar, Luisinho, Cláudio, Carbone, Roberto e Gilmar, futuro goleiro da Seleção. O técnico Rato deu ao apronto a feição de jogo e titulares e reservas, estimulados pela platéia, agiram como se já estivessem em campo para a disputa do clássico. Os titulares golearam por 7 a 3 e o Cabecinha de Ouro foi o dono da festa com seis gols.

Os “hóspedes” do sr. Silva Teles viveram momentos de alegria e liberdade.

(GAZETA PRESS)



O Expresso, Capão Bonito/SP, 26/01/2002.