Antonio Roque Citadini


Nunca tive grande conhecimento sobre a Geórgia. A mais remota idéia que tenho desta ex-república da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) liga-se ao fato de que ali nasceu Joseph Stálin. Muito antes de tornar-se o timoneiro soviético, Stálin era disciplinado e atuante membro do Partido Comunista Georgiano. Lá, quando ainda não havia mandado milhares e milhares de chechenos e outras etnias para morrerem na Sibéria, e de prender e matar boa parte dos oficiais do exército vermelho - que tanta falta faria na fase inicial da Segunda Guerra, Stálin atuava na clandestinidade e usava o codinome “Koba”. Esta foi a minha principal informação sobre a Geórgia. A partir de agora tenho uma nova e inesperada referência. Não sei se é rico, se é pobre, baixo, alto, gordo ou magro, sei apenas que, sem pedir referência bancária, sem exigir avalistas ou qualquer outra garantia, ele enviou dois milhões de dólares emprestados na primeira operação da parceria MSI-Corinthians. Fiquei matutando se isto seria sobra da generosa solidariedade internacional comunista, que teria deixado no coração de Zazá o desejo de ajudar um clube da América Latina. Lembrei-me de todos os operários da URSS que, durante a Guerra do Vietnã, doavam um dia de trabalho por mês, convertido em ajuda enviada aos vietnamitas em luta contra os Estados Unidos. Igualmente veio-me à lembrança o gesto dos trabalhadores da ex-Alemanha Oriental que trabalhavam 4 horas a mais por semana fabricando bicicletas para enviar aos vietcongues, como também faziam os búlgaros levantando donativos para auxiliar o recém-instalado regime cubano de Fidel na década de 1960.

Depois que li, no entanto, a matéria da Folha de S. Paulo de hoje, 24/2/5, “MSI instalou-se no Brasil com dinheiro da Geórgia”, decepcionei-me. Nada de um restinho do que teria sobrado da solidariedade internacional comunista, mas o empréstimo de Zazá é uma obscura operação de não menos obscuro fundo que tenta driblar o Banco Central numa operação que compromete quem envia e quem recebe o dinheiro.


HMTF nada tem a ver com MSI

Na complicada parceria do Corinthians muitos dos apressados defensores da MSI vivem dizendo que a Hicks Muse era uma empresa igual aos parceiros soviéticos atuais do Corinthians. Nada disso é verdade. A Hicks, HMTF, é um fundo com proprietários de nomes conhecidos, sede nos Estados Unidos, operação em todo mercado de capitais norte-americano e investimentos em vários países, e seus negócios, alguns lucrativos e outros desastradamente com prejuízos, são conhecidos no mercado e auditados por empresas de renome. Não é o que ocorre com a MSI. Não há relatórios de auditoria de seus negócios, seus citados diretores mudam como o clima em São Paulo, e a empresa nunca fez nenhum negócio a não ser este com o Corinthians.


Contratação de Jogadores

Não há corinthiano que não esteja animado com a chegada de jogadores, alguns dos quais são craques sem maiores discussões, como Tevez. Nessas operações não se discute a qualidade dos atletas, o mesmo não ocorre com os anunciados valores pagos. Além de os pagamentos não passarem pelo Corinthians, - o que compromete o contrato e a parceria -, os negócios concentram-se em Portugal e na Argentina. Será que isto ocorre em virtude da tradicional flexibilidade destes dois países na área de câmbio? Quando da discussão da parceria, em anúncio publicado nos jornais, a MSI afirmava que faria grandes investimentos no Brasil. Parece que está sendo mais fácil investir na Argentina e em Portugal.