Mais três pessoas foram presas ontem no Paraná, segundo denúncias, por presumíveis motivos políticos, embora os órgãos de segurança não tenham dado qualquer informação confirmando as prisões ou informando o paradeiro das pessoas detidas.
No Senado, o vice-líder do MDB, Saturnino Braga, denunciou mais 8 prisões, além das 20 denunciadas na véspera pelo Departamento da Juventude do MDB.
Em resposta às denúncias apresentadas por Saturnino Braga, o líder do govemo no Senado, Petrônio Portella, disse que vai levar o caso ao ministro da Justiça e esclarecer, nas próximas horas, os motivos das prisões, no Paraná e em São Paulo. Também disse que tentará uma solução para a greve de fome dos presos políticos da Ilha de Itamaracá, em protesto pelo "tratamento desumano que vêm sofrendo há seis dias".
1.Professora Urias de Mello Souza, do grupo escolar Maria Goretti, em Maringá;
2 jornalista Laércio Souto Maior, estudante de Direito, é da Folha de Londrina;
Estas duas pessoas foram presas, segundo seus parentes, anteontem, em Maringá, por quatro funcionários da Polícia Federal, que ocupavam um Maverick branco, com uma faixa preta e placa AL-7553 e, ainda, um Opala vermelho, sem placas. Eles foram detidos em suas residências, ambas na rua Tietê, na Vila 7, em Maringá.
3. professor Nelson Rodrigues dos Santos, diretor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina.
Segundo os nove diretórios da Universidade Estadual de Londrina, o professor foi preso no último sábado, dia 11. Os estudantes enviaram ontem telegramas ao presidente da República, ao ministro da Justiça e ao ministro da Educação, denunciando a prisão e o clima de intranquilidade que a prisão do professor provocou na Universidade, falando da preocupação dos estudantes e pedindo a intervenção das autoridades, para benefício da universidade brasileira.
Da lista do MDB, apresentada por Saturnino Braga, constam as seguintes pessoas: 4. José Roberto Franganielo Melhes, advoiado;

5. Waldir José de Quadros, presidente do Departamento Estadual de São Paulo da Juventude do MDB; 6.José Carlos de Souza Alves, estatístico, membro do MDB; 7. Lázaro de Campos, do diretório do MDB em Sorocaba; 8. Amélio Sabaaing, de Sorocaba; 9. João dos Santos Pereira, vereador do MDB, em Sorocaba; 10. Manoel José Constantino, presidente do sindicato dos Metalúrgicos de são Caetano do Sul e delegado nacional do MDB; 11. José Ferreira, vice-presidente do sindicato dos metalúrgicos de Caetano do Sul; 12. Pedro Daniel de Souza, sindical e membro do MDB de São Caetano do Sul; 13. Henrique Saragono Buzzoni, advogado e membro da Juventude do MDB; 14. Sérgio Gomes da Silva, jornalista da Folha de S. Paulo e membro da Juventude do MDB; 15. Antonio da Costa Gadelha Neto, corretor seguros; 16. Marino Tocca; vereador do MDB, em Sorocaba; 17. José Salvador Faro, membro da Juventude do MDB; 18. Miguel Trujillo Filho, membro do Diretório do MDB em Sorocaba; 19. Francisco José Cávalcanti de Albuquerque Lacerda, médico e membro da Juventude do MDB de Taubaté; 20. Jafet Henrique de Carvalho, arquiteto; 21. Marisa Saenz Leme, da Juventude do MDB; 22. Osmar Gomes da Silva, dentista; 23. Ernesto Correa de Mello, feirante.
Dessa lista, apenas o advogado José Roberto Fanganielo Melhes não constou da relação apresentada anteontem pela Juventude do MDB, que em compensação apontou mais um nome, não citado ontem no Senado: 24. Francisco Siedel, de Sorocaba.


Da lista apresentada no Senado também não consta um outro preso - segundo requerimento apresentado ontem à Justiça Militar: Swamir Salusollia, feirante.


Da lista, apresentada no Senado o MDB fez constar ainda os nomes de pessoas cujas prisões já foram comunicados à Justiça Militar: José Milton Ferreira de Almeida; Aldo Pedro Dietrich; Gildásio Ewstin Concoesa; Ricardo Felício Mausen; Armando Eurico Gomes; Francisco Victor Machado; Edvaldo AIves da Silva.
No senado, Roberto, Saturnino reclamou também da prisão do ex-deputado estadual Afonso Celso Nogueira. Na Câmara, o deputado Álvaro Dias condenou a prisão do deputado estadual do Paraná José Domingos Sacarpellini.

Na 11ª Auditoria do Exército, em Brasília, o advogado José Maria Pelucio Pereira prestou ontem depoimentos, disse que foi torturado, e que seu irmão José Oscar também foi torturado.

O inspetor Deusdeth depondo na mesma Auditoria, negou que os dois irmãos tivessem sido torturados, como também outros acusados no mesmo processo: os gráficos Lauro Leite Braga e Darcy Aquino, a funcionária do Itamaraty, Teresinha de Oliveira Silva, além de Geraldo Campos, Wenceslau de Oliveira Morais e Yoshio Ide.

(O Estado de S.Paulo, 16/10/1975)